O Blooooog do milênio!!! Música, arte, cinema, entretenimento, polêmicas, poesias, história, futebol arte, política e tudo o mais que faz da vida uma aventura errante.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Deus criou o mal?
Durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim desafiou seus alunos com esta pergunta:
-Deus criou tudo o que existe?
Um aluno respondeu com grande certeza:
-Sim, Ele criou!
-Deus criou tudo?Perguntou novamente o professor.
-Sim senhor, respondeu o jovem.
O professor indagou:
-Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal? Pois o mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?
O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor, feliz, se regozijava de ter provado mais uma vez que a fé era uma perda de tempo.
Outro estudante levantou a mão e disse:
-Posso fazer uma pergunta, professor?
-Lógico, foi a resposta do professor.
O jovem ficou de pé e perguntou:
-Professor, o frio existe?
-Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?
Com uma certa imponência rapaz respondeu:
-De fato, senhor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo corpo ou objeto é suscetível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criamos essa definição para descrever como nos sentimos se não temos calor.
-E, existe a escuridão? Continuou o estudante.
O professor respondeu temendo a continuação do estudante:
-Existe!
O estudante respondeu:
-Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. A luz pode-se estudar, a escuridão não! Até existe o prisma de Nichols para decompor a luz branca nas várias cores de que está composta, com suas diferentes longitudes de ondas. A escuridão não!
Continuou:
-Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz.Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim?! Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente.
Finalmente, o jovem perguntou ao professor:
-Senhor, o mal existe?
Certo de que para esta questão o aluno não teria explicação, professor respondeu:
-Claro que sim! Lógico que existe. Como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo todo, essas coisas são do mal!
Com um sorriso no rosto o estudante respondeu:
-O mal não existe, senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações. É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.
Por volta dos anos 1900, este jovem foi aplaudido de pé, e o professor apenas balançou a cabeçapermanecendo calado… Imediatamente o diretor dirigiu-se àquele jovem e perguntou qual era seu nome?E ele respondeu:
-ALBERT EINSTEIN, senhor!
Albert Einstein
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Particular versus pública: inventário das diferenças.
Alunos da federal e da etesp debatendo se estas escolas são iguais ou não as particulares... depois de um breve tempo, posto que tudo nesta geração é "fast", chegam a conclusão:
"_ Não é meu, se vc tirar nota vermelha lá vc consegue reclamar para o diretor e fazer ele mandar o cordenador mudar sua nota?
_Não!
_Então não é igual a particular."
Precisa dizer mais.
rsrsrsrs
sábado, 15 de agosto de 2009
Deputado do PV de SP mostra como Serra funciona: um horror!
O Conversa Afiada aceita a sugestão do amigo navegante Geraldo S. Chaves e reproduz entrevista do deputado estadual Capitão Olímpio ao blog Outro Lado da Notícia:
Deputado rompe com o PV e alerta Marina
Em entrevista ao Brasília Confidencial, o deputado estadual Major Olimpio, de São Paulo, acaba de romper com o PV. Em entrevista ao Brasília Confidencial, ele afirma que o PV abre mão até de seus projetos ambientais em nome de um “apoio cego” à aliança PSDB-DEM. Rebelado desde o início do mandato, em 2006, Major Olímpio aponta o fisiologismo do partido e a censura que o PV impôs a suas denúncias contra o Governo José Serra (PSDB). Para a senadora Marina Silva (PT), que pode fazer o caminho contrário, aderindo ao PV para concorrer à Presidência da República, ele manda um recado: “Você não merece esse engodo”.
Policial militar por 29 anos, eleito em 2006 pelo PV com 52.386 votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado fez um acordo com o partido e ficou com o mandato, depois de alegar justa causa para deixar a legenda. PT, PDT, PSOL e PTB estão sondando o deputado, que adianta: “Não vou simplesmente trocar de cela”.
O senhor deixou o PV ou foi o PV que o deixou?
Eu deixei o PV. Entrei com uma ação na Justiça, inclusive, alegando justa causa. Depois, recentemente, eles me procuraram para um acordo. Fiquei com o mandato e retirei a ação.
O que o senhor alegou nessa ação?
Até as censuras e discriminações que sofri. Para você ter uma idéia, eu fui proibido de fala em nome do partido. Fui excluído da vice-liderança… O caso é que, nas eleições passadas, o PV teve candidato próprio em São Paulo e, portanto, não compunha a base de apoio do José Serra (PSDB). Então, legal e moralmente, não há nenhum compromisso do PV com esse governo.
O senhor faz oposição isolada ao governador Serra. Como isso começou?
Eu não poderia jamais, como filho de servidor, como policial durante 29 anos em São Paulo, me prostrar diante desse desmonte, desse absurdo que o governador tem feito no serviço público, na polícia. Eu não me elegi para me prostrar diante do governador. O PV fez isso em troca de um cargo, de uma Secretaria de Assistência Social. E em troca de duas secretarias do aliado de Serra, o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Eu descobri que a candidatura do PV foi um jogo de cena. Eu entrei nessa porque nunca tive muita habilidade política, nessa política de cartas marcadas. Em minha vida, eu passei 29 anos na polícia, correndo atrás de bandidos. Eu não soube entender que era tudo uma grande armação. Foi uma campanha armada para que eles se jogassem depois nos braços de Serra e Kassab.
Como o senhor percebeu isso?
Logo no começo do mandato eu entendi. Meus sete colegas de bancada votaram em favor de vetos de Serra a projetos ambientais. Um deles era para a despoluição dos rios. Olha, eles se esqueceram até dos princípios ambientais. É uma obediência cega ao Serra. Chega ao absurdo, ao desrespeito absoluto ao eleitor. Eles (os deputados do PV) nem comparecem muito às sessões. Por causa do meu comportamento, fui destituído da condição de vice-líder e nem podia mais falar pelo partido nas sessões. Eu virei um deputado zumbi. CPIs, então, nem pensar. A coisa que eu mais aprendi na minha carreira policial foi investigar bandidos. Mas nunca vi uma CPI nessa Assembleia de São Paulo. Até meus projetos o PV mandou que eu retirasse. Um deles, por exemplo, previa melhorias nas condições salariais dos policiais, que é o meu setor eleitoral. Queriam me destruir no meu segmento.
O senhor propôs uma CPI para investigar o Governo Serra?
Sim, em 2007. Vou falar disso porque tenho informações fidedignas. As tropas me informam de tudo e eu documento. Mas não consegui assinaturas suficientes para uma CPI. O fato é que os helicópteros da Polícia Militar viraram táxi-aéreo de “aspones” e secretários do governador. Para você ter uma idéia, houve um sábado (em 2007) que o Goldman (Alberto Goldman, vice-governador de São Paulo) pegou seus chinelinhos e seu cachorro e chamou um “táxi-aéreo do governo”, que era, na realidade, um helicóptero de resgates da PM, para ir passear em Campos do Jordão. E isso ainda acontece nesse governo. As madames, mulheres dos usuários desse “serviço”, reclamaram então que nos helicópteros havia fuzis e elas não gostavam dos fuzis no seu táxi-aéro. Mandaram tirar; e a PM teve que retirar. Olha, isso é o fim do mundo. Fico revoltado, porque esses helicópteros devem servir para as ações policiais, não para transportar madames nem gente que quer passear com o cachorrinho em Campos do Jordão, nos sábados ensolarados. Mas o PV me mandou calar a boca.
E o senhor não denunciou de outra forma?
Sim, pedi a CPI e também denunciei o caso à Procuradoria da Justiça do Estado de São Paulo. Sabe qual foi o resultado? O parecer foi de que esse uso dos helicópteros pelo governo é legítimo. Mesmo com as aeronaves de socorro. Então, o governador pode tudo.
Houve alguma outra situação em que o senhor ficou indignado?
Muitas. Quando houve a inundação no Maranhão, São Paulo mandou 30 bombeiros para lá. Eles foram enviados em um avião da FAB. Ajudaram e tal. Na volta, não tinha mais como eles voltarem no avião da FAB. Sabe o que o governo paulista fez? Nada. Os 30 bombeiros passaram três dias molhados, feridos, cansados, no aeroporto do Maranhão. O governo paulista não queria pagar passagens para os 30 bombeiros voltarem para suas casas, depois dessa missão autorizada. No último dia 3 eu fiz essa denúncia no Plenário. Sabe como eles voltaram? Nós, policiais, pagamos as passagens para os colegas com um fundo nosso mesmo, que mantemos para garantir café e bolachinhas nos quartéis. Nós, policiais, pegamos desse dinheiro e pagamos as passagens para os colegas. Na volta, eles nos contaram que não receberam sequer as diárias pelos dias que passaram lá, ajudando a salvar vidas. Como é que eu, um policial por 29 anos, posso apoiar esse governador?
O senhor já decidiu seu futuro político? Vai se filiar a um partido de oposição?
Olha, por enquanto, só tenho duas certezas: nunca mais o PV nem o PSDB e seus apoiadores. Eu não posso sair de uma cela para entrar em outra cela. Tenho até o dia 30 de setembro para decidir. Fui convidado pelo PT, PSOL, PDT, PTB. Eu me dou muito bem com o PTB, por exemplo, mas eles também apóiam o Serra. Então, eu vou avaliar isso muito bem, porque agora o mandato é meu, não do PV.
Nesse momento em que o senhor rompe com o PV, a senadora Marina Silva (PT) avalia a sua adesão ao partido para garantir uma bandeira ambiental para disputar a Presidência da República. O senhor daria algum recado à senadora?
Muito claramente: Marina, pense muito bem. Você tem uma história de vida… Os princípios do PV são fantásticos no papel, na conversa. Mas não são reais. Você não merece esse engodo.
sábado, 15 de novembro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
resposta ao ataque de veja a Paulo Freire.
Na semana passada, a viúva do educador Paulo Freire, Ana Maria Araújo Freire, escreveu uma carta de repúdio à revista Veja, em decorrência de reportagem publicada na edição de 20 de agosto, intitulada 'O que estão ensinando a ele?'. De autoria das jornalistas Monica Weinberg e Camila Pereira, a reportagem foi baseada em uma pesquisa sobre a qualidade do ensino no Brasil. Em um determinado trecho da reportagem, lê-se: |
'Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado'.
Diante disso, Ana Maria Araújo Freire escreveu a seguinte carta de repúdio:'Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo deste.
Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoa pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.
A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.
Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do 'filósofo' e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.
Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.
Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja os dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!
São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire
domingo, 5 de outubro de 2008
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
O trabalho de professor.
Marilena Chauí
Tentando entender o trabalho docente a autora relata sua pesquisa que tem como objetivo “efetuar um recorte do imaginário social dos professores do município do Rio de Janeiro evidenciando as suas representações do próprio trabalho”.
Partindo da ótica psicanalista ela percebe uma heroicização do docente, que luta e se sacrifica numa batalha sem fim, repetida a cada nova turma. O discurso foi analisado levando em consideração o imaginário e a ideologia. A pesquisa indicou que os professores se representam como heróis “que salvam as pessoas da ignorância”, mas acabam se perdendo nela.
A moral judaico-crista que herdamos separa o trabalho e o gozo, e o professor deformado pelo trabalho cobre seu sofrimento material com um prazer imaginário proporcionado pela “arte de ensinar”. A resistência a aceitar sua condição de trabalhador assalariado levá-os a reverenciar o “status” da profissão.
Na pesquisa apareceram representações defensivas, colocando o professor na posição de herói que se eterniza através dos alunos. A idéia de vocação ameniza o sofrimento, e dignifica o trabalho docente. Processos defensivos, com excesso de explicações e fuga de conflitos, ficaram evidentes, assim como a tendência a chamar para os professores a responsabilidade de reversão do quadro atual através dessa martirização e não da luta político-sindical. O amadurecimento e sofrimento são encarados como ritos de passagem.
Também esteve presente um fenômeno deformacional, onde professores relacionam-se com símbolos gloriosos, heróicos ou depreciativos, distanciando de uma forma ou seu trabalho da proletarização real.
O saber como arma sagrada do professor para salvar os alunos; o futuro glorioso atribuído ao papel simbólico do dono da escola, que organiza o mundo desprovido de sentido; a heroicização do magistério; a imagem do outro, o mau professor, autoritário, desinteressado, desatualizado, individualista e despolitizado, que habita cada um deles; a tendência para o sacrifício, incluindo baixos salários e o trabalho excessivo, responsabilizando as autoridades, os alunos difíceis, as famílias dos mesmos e os meios de comunicação de massa; o futuro heróico envolto em projetos educacionais de cunho social, que melhorarão o cenário da educação no Brasil; são noções que auxiliam o professor a superar algumas inferioridades e assim resolver de forma imaginária seus conflitos.
Vários tipos de heróis desfilaram nesta pesquisa, o cristão, o delirante e o mitológico. Só faltou o herói político, aquele que, segundo Arendt, é revelado pela história e cuja coragem fundamental esta na disposição para agir e para falar, em situações que todos calam.
Talvez, os educadores estejam sofrendo os efeitos que Tamarit chamou de “curva ideológica”, referindo-se ao pensamento pós-moderno que na América latina, lançou por terra a tradição revolucionária.
OLIVEIRA, Eloiza da Silva Gomes de. Trabalho do professor – trabalho de Sísifo? A heróica dimensão imaginária da docência. In: VIELLA , Maria dos Anjos Lopes(Org.) Tempos e Espaços de Formação Chapecó: Argos, 2003.
QUEM DE FORMA O PROFISSIONAL DO ENSINO (RESUMO)
“Não sois máquinas, homens é que sois”
Charles Chaplin
“Nossa vida é o assassinato pelo trabalho”
Georg Büchner
Dizer que o dia em que tivermos educadores mais qualificados resolveremos os problemas da educação é um mito, segundo o autor. Para ele a desqualificação do mestre é apenas um dos aspectos da desqualificação da própria escola.
O despreparo do mestre o mantém fraco e facilmente manipulável, e esta é a raiz da sua desfiguração social e de sua fraqueza como categoria social.
Tudo que se faz pela qualidade do educador tem uma dimensão social e política, que cria condições para a instrumentalização de uma categoria e a qualificação da escola.
Quando se fala em qualidade de educação tudo se discute, apenas as condições materiais são esquecidas como se pouco ou nada pesassem no fracasso escolar.
O processo de ensino-aprendizagem, pautado na figura do professor transmissor de conhecimento, ajuda a explicar o fracasso da escola pelo despreparo do profissional da educação.
Não podemos esquecer que o despreparo desse profissional esta integrado a negação do direito de saber as camadas populares.
Acreditar que o Estado, a burguesia e seus gestores assim como os empresários do ensino querem elevar os níveis de qualidade, mas não conseguem devido ao atraso sócio cultural do país, é uma ingenuidade.
Se as propostas de revitalização dos centros de formação forem inspirados na relação linear e ingênua entre capacitação do profissional e êxito da escola, estaremos recuando.
O peso desmotivador, não apenas da falta de condições de trabalho, a instabilidade no emprego, as relações hierárquicas, o universo burocrático, a condição de simples assalariado a que vem sendo submetido o profissional do ensino, não são lembrados quando se equaciona as causas do fracasso escolar, nada se fala sobre a motivação,
O capitalismo tem um caráter desqualificador e deformador, nas palavras de Adam Smith “a perícia no ofício é uma qualidade que parece ter sido adquirida à custa das virtudes intelectuais e sociais”, e o professor, neste sistema, como todo assalariado, perde o controle do seu trabalho, de sua qualificação, do processo e até de si mesmo como trabalhador.
Enfim , o professor , inconscientemente, é reprodutor de sua própria situação, um mero assalariado, pago para executar propostas pedagógicas pensadas por outros e alienado.
ARROYO, Miguel González Quem de-forma o profissional do ensino In: VIELLA, Maria dos Anjos Lopes (Org.) Tempos e Espaços de Formação Chapecó: Argos, 2003.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Depois de reuniões para dizer que a verdade está lá fora , achei a resposta aqui dentro!!!!
Alanis Morissette
Olhe para nós, cortando nossos laços nesta cozinha
Olhe para nós, organizando as nossas defesas
Olhe para nós, fazendo guerra em nosso quarto
Olhe para nós, fugindo de nossas conversas
Não há diferença no papel que representamos aqui
E a diferença não aparece como sintomas maiores lá
fora
Então pra que perder tempo escondendo quem somos
Quando nós temos a peça (resposta) fundamental para a
causa bem aqui, nosso alicerce
Olhe para nós, formando nossas panelinhas em caixas
de
areia
Olhe para nós, crianças minúsculas, com nossos
corações fechados
Olhe para nós, ignorando todos os nossos defeitos
Olhe para a ditadura no meu próprio bairro
(Refrão)
Porque desperdicei minha energia a toa
Quando a luz lá fora vem e da raiz
Preste atenção nas origens das razões mais simples
Essa base, quando formada, começa na nossa sala de
estar
Não há diferença no papel que representamos aqui
E a diferença não aparece como sintomas maiores lá
fora
Então pra que perder tempo escondendo quem somos
Quando nos temos a peça (resposta) fundamental para a
causa bem aqui, nosso alicerce
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Fax nº 51 – 16/07/2008
APEOESP presta esclarecimentos à Procuradoria Regional do Trabalho
Em audiência de mediação ocorrida nesta terça-feira, 15, a APEOESP prestou
esclarecimentos à Procuradoria REgional do Trabalho, Núcleo de Dissídio Coletivo,
sobre os encaminhamentos da luta dos professores em defesa de seus direitos
adotados a partir de 04 de julho, data da suspensão da greve.
A APEOESP informou à Procuradora Oksana M. D. Boldo que acatou o acordo
firmado no Tribunal Regional do Trabalho ao propor em assembléia a suspensão
do movimento grevista - porém com a permanência do estado de greve -
mediante o compromisso da Secretaria em abrir processo de negociação.
Também informou que todas as deliberações são aprovadas nas diversas
instâncias do Sindicato: diretoria estadual colegiada, conselho estadual de
representantes e assembléia geral dos professores.
Em 24 de julho próximo, o conselho estadual de representantes se reunirá
para definir os próximos passos da luta, já que até o momento a Secretaria
não abriu processo de negociação sobre a pauta de reivindicações da categoria
que trata da revogação do Decreto 53037; da incorporação de todas as
gratificações; da Lei 1041 (faltas médicas); do cumprimento da data-base;
do reajuste salarial que reponha as perdas; de um novo Plano de Carreira,
entre outros pontos.
Os esclarecimentos fizeram-se necessários para que a Procuradoria possa
encaminhar processo de dissídio coletivo, o que poderá ocorrer nos próximos dias.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Procuradoria Regional do Trabalho agenda audiência de mediação
com a APEOESP
Nesta terça-feira, a APEOESP comparecerá em audiência de
mediação convocada pela Procuradoria Regional do Trabalho
no Núcleo de Dissídio Coletivo.
A convocação foi feita logo após o Sindicato ter protocolado
denúncia contra a Secretaria da Educação no Tribunal Regional
do Trabalho pelo não cumprimento do acordo assinado na
audiência de conciliação em 04 de julho, durante a greve da
categoria.
Na ocasião a Secretaria da Educação assinou acordo no qual se
comprometia a pagar os dias parados aos professores que
participaram da greve e abrir negociação sobre os demais
itens da pauta de reivindicação da categoria.
Descumprindo o acordo, a Secretaria publicou comunicado
Diário Oficial anunciando desconto no salário dos docentes e
pagamento mediante a reposição de aulas. Além disso, não
apontou qualquer calendário de negociação.
Diante da ofensiva da S.E.E., além dos encaminhamentos
jurídicos, é imprescindível mantermos o estado de greve e
definirmos conjuntamente os próximos passos do movimento
em defesa dos direitos da categoria. Em 24 de julho, o
Conselho Estadual de Representantes se reunirá
extraordinariamente para apontar as ações imediatas,
entre elas a data da assembléia da categoria. Em nosso
próximo Fax Urgente, informaremos o resultado da audiência
de mediação entre a APEOESP e a Procuradoria Regional do
Trabalho.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Fax denuncia S.E.E. ao APEOESP Tribunal Regional do Trabalho nº 49 – 10/07/2008
Secretaria da Educação no Tribunal Regional do Trabalho.
A ação se deve ao descumprimento da S.E.E. ao acordo assinado
durante audiência de conciliação ocorrida em 04 de julho
quando ficou determinado que haveria o pagamento aos
professores que participaram da greve e a posterior
das aulas. Em Comunicado publicado no Diário Oficial, o governo
informou que descontará os dias do período de greve e o
pagamento só se dará mediante reposição das aulas. Esta é
ação punitiva adotada pelo governo contra os docentes que
ousaram lutar pelos seus direitos. A APEOESP defende o
pagamento integral dos dias parados, a instituição de um
calendário de reposição, debatido pelo Conselho de Escola,
e o desconto das aulas que não forem repostas.
INTENSIFICAR A LUTA
Segundo determinação do TRT, o governo tinha até às 18 horas
desta quinta-feira, 10 para apresentar um calendário de
negociação sobre todos os itens da pauta. Mais uma vez,
a S.E.E. não cumpriu a determinação. O governo não
apresentou qualquer proposta de negociação sobre os itens,
entre eles a a revogação do Decreto e o não desconto
dos dias parados.
Após cobrança da APEOESP, houve apenas retorno do
Departamento de Recursos Humanos (DRHU) informando
que efetuará o pagamento das reposições da seguinte forma:
as aulas dadas em julho serão lançadas em agosto para
pagamento no 5º dia útil de setembro, e assim sucessivamente.
Anteriormente, a Secretaria propunha pagar as aulas somente
após passados dois meses da reposição.
Diante desta ofensiva, o Sindicato solicitará ao TRT que institua
dissídio coletivo, obrigando o governo a atender a pauta de
reivindicações dos professores. Além disso a APEOESP está
conclamando a categoria a intensificar a luta. A Diretoria Estadual
Colegiada deliberou pela convocação do Conselho Estadual de Representantes, extraordinariamente, para o próximo dia 24 de julho quando
serão definidas novas ações e a data da próxima assembléia em
defesa dos direitos da categoria.
Durante este período, os professores devem manter o estado
de greve e denunciar a forma desrespeitosa como o governo
José Serra trata a categoria e os alunos. Nossa luta objetiva
a melhoria do processo de ensino-aprendizagem e da qualidade
da escola pública com valorização a toda a categoria.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
O VÔO DAS BORBOLETAS por Renato Lauermann
Greve causa desconforto e sofrimentos, mas é um
legítimo instrumento reivindicatório em uma democracia.
Greves permitem observar o que há de melhor e de pior
nos seres humanos.
O melhor é a solidariedade, a união, a organização e a
capacidade de superar possíveis resultados inesperados.
O pior é o egoísmo e o oportunismo que se manifesta nos
que ´furam´ a greve, mas querem se beneficiar dos
resultados positivos, quando alcançados.
Por isso, eu aponto um único lado negativo nas greves:
por beneficiar indistintamente aos que corajosamente
evoluem para borboletas e aos que covardemente,
aceitam a condição de lagarta.
A lei deveria mudar, garantindo que as conquistas dos
grevistas fossem apenas deles. Os demais receberiam
apenas o que os patrões oferecem e que de bom grado
eles aceitam, pois se assim não fosse, eles também se
rebelariam.
É assim nas greves de professores, bancários, policiais
ou qualquer categoria profissional em que uma parcela
deles não sabe a diferença entre existir e viver.
Exalto a coragem dos que arriscam. Deploro a vileza dos
que fazem da acomodação uma maneira de auferir lucros
indevidos.
Aos que ganham asas, a certeza de que vistas do alto,
as lagartas são ainda menores do que parecem.
Resposta a Secretária de Educação de SP Parabéns para essa supervisora!!!
Vocês que já são Professores ou que estão se preparando
para tal...Leiam com muita atenção esse desabafo de uma
Supervisora de Ensino Público...
Assunto: Resposta a Secretária de Educação de SP
Olá. ´Todos contra esse modelo de educação em SP´.
Analisando afirmações da Secretária
Senhora Secretária,
Quero aqui expressar, com todo o respeito, a opinião de
uma profissional que pensa que a educação pública de
boa qualidade é fundamental para o desenvolvimento
do país e que, por isto mesmo, tem orgulho de pertencer
ao Quadro do Magistério Estadual Paulista. Tenho
15 anos de trabalho na Escola Pública de São Paulo,
11 dos quais em sala de aula e os últimos 04 na
Supervisão de Ensino. Tenho lido com muita apreensão
algumas matérias que saem nos jornais e na Revista
´Veja´ que, a meu ver, têm colocado a maior parte da
responsabilidade dos males da educação nos professores
e gestores escolares, sem, contudo, fazer uma reflexão
mais profunda sobre esta situação.
Concordo que há um número grande de professores sem
condição para assumir uma sala de aula. Mas há que se
perguntar: por que isto acontece? Se a justificativa do
fracasso da educação está neste fato, por que aceitar
professores tão mal formados? É triste pensar que
boa parte dos professores é formada em cursos que
não preenchem os mínimos requisitos para formar
bons professores. Não posso deixar de pensar que isto
parece uma política muito bem pensada. Professores
mal formados formam mal seus alunos e, por isto mesmo,
não têm o direito de receber salários dignos de um bom
profissional. Os bons profissionais acabam abandonando
a carreira pois não são valorizados tanto financeiramente,
como do ponto de vista social. Nem o Estado, nem a
sociedade respeitam estes profissionais. E como resgatar
o respeito perdido perante a sociedade, se toda campanha
que o governo e a mídia em geral fazem por uma educação
de qualidade, é uma campanha contra os professores,
sempre apontados como os grandes culpados pela situação
da escola pública?No entanto, quando alguns de nós
afirmamos que é preciso fiscalizar, com mais firmeza,
os cursos para que passem a formar professores competentes,
lá vem aquela ´baboseira ideológica´ (me desculpe por
emprestar sua expressão) de que somos um bando de
castristas autoritários.Ninguém reclama quando a
vigilância sanitária fecha um estabe-lecimento que não
segue as mínimas regras – afinal é uma questão de saúde
pública. Mas quando falamos da necessidade de fiscalizar
as instituições de ensino superior e tomar atitudes firmes
contra aquelas que formam mal, é uma gritaria geral.Em
uma entrevista à ´Veja´ a senhora afirma que ´num mundo ideal´
fecharia as faculdades de pedagogia porque seus cursos são ´exclusivamente teóricos, sem nenhuma conexão com as
escolas públicas e suas reais demandas´ (Veja, 13/02/2008)..
Na verdade, senhora secretária, uma boa parte dos cursos são
vagos mesmo e os alunos não tem aulas de tipo algum, sejam
teóricas, sejam práticas.Penso que qualquer reforma no ensino
básico será infrutífera se não acompanhada de uma reforma
profunda nos cursos que formam professores.Outra questão
reside nas condições de trabalho. Muito tem se falado no
exemplo finlandês, especialmente em matérias da ´Veja´.
Convenhamos, nenhuma delas explica muito bem a situação
dos professores finlandeses, tão citados como exemplares.
Matéria do ´Washington
Post´, disponível na Internet
(washingtonpost.com, acesso em fevereiro de 2007)e intitulada
´Focus on Schools Helps Finns Build a Showcase Nation´,
nos fornece dados que possibilitam ver as diferenças entre
as condições de trabalho dos professores daqui e da Finlândia.
Neste
país, a profissão é valorizada, os professores são respeitados
pela sociedade e se orgulham de sua profissão. Quase todos
são mestres, no mínimo. Será que se formam em cursos vagos,
de fim de semana? Cursos reconhecidos pelo Governo e que
cresceram exponencialmente a partir dos anos 90? Aqui em
São Paulo, até mesmo o programa ´Bolsa Mestrado´ foi suspenso
pelo governador José Serra.
Na Finlândia, os professores não são horistas; são contratados
para trabalhar em uma única escola; têm dedicação exclusiva,
tendo tempo para desenvolver projetos que favoreçam a aprendizagem.Enfim, são professores-pesquisadores, com
condições para tal. Aqui, senhora
secretária, professor da escola pública é horista e dá até
vergonha de dizer quanto vale a hora / aula de um professor.
Para compor o salário os OFAs se deslocam de uma escola
para outra para completar a carga horária. Muitos efetivos de cargo,
para aumentar a renda, acabam acumulando cargo no próprio
Estado ou no Município.Isto sem falar naqueles que também
atuam em escolas particulares. Em relação a esta questão,
outra matéria ´vejiana´ afirma que salário não tem relação
com qualidade de ensino. Citando a Finlândia, afirma que lá
os professores ganham quase o mesmo que a média do
salário nacional, enquanto os professores daqui ganham
cerca de 50% a mais.Ora, eu gostaria de ganhar um
salário igual ao da média nacional, desde que a nossa
média nacional fosse igual à da Finlândia. Como os professores
de lá, com certeza eu não reclamaria. Como diversos
estudos mostram, números são interpretados em função de
nossas intenções e visões de mundo. Como educadora e com
uma visão diferente da ´vejiana´, penso que devemos lutar
por um futuro em que a média dos salários daqui possa se
comparar à de países que oferecem uma vida mais digna
aos seus cidadãos. Aliás, é interessante observar que
matéria da própria ´Veja´ (Veja São Paulo, de 16/04/2008),
mostra que salário tem sim relação com a qualidade de ensino.
A matéria nos informa que a média dos salários dos
professores das 10 melhores escolas no ENEM 2007 é
de R$ 6.000,00. Há professores que recebem mais de
R$ 9.000,00. São professores bem formados, valorizados e
com dedicação exclusiva.
Sei das dificuldades de se arcar com custos de salários tão altospara os professores das escolas públicas, mas dizer que
ganhamos bem e que reclamamos à toa beira é brincadeira
de mau gosto, para não dizer que parece um discurso ensaiado
e de má fé. Voltando à Finlândia, lá o sistema é ´rich in staff´,
como é afirmado na matéria do ´Washington Post´.
Há funcionários, psicólogos e especialistas em crianças com
necessidades especiais. Já aqui... Lá o sistema seleciona os
melhores professores, pois os valoriza. Aqui o sistema contrata
professores mal formados exatamente porque não os valoriza.
Só quando os professores forem profissionais bem formados,
receberem salários dignos de sua profissão e forem respeitados
enquanto profissionais é que o Estado terá condições de exigir
resultados. Aí sim poderá avaliar e até mesmo criar mecanismos
para excluir aqueles professores que não tenham compromisso
em sua profissão, tal como na Finlândia ou nas escolas
particulares. Do contrário, as avaliações só continuarão a
mostrar o fracasso do sistema.
Penso ser urgente pensar nestas questões, pois não adianta
cobrar melhora nos resultados de aprendizagem se não há um
sistema de contratação de profissionais bem formados, sejam
professores, sejam gestores. Concordo que o problema da má
qualidade de ensino não se resolverá apenas com aumento de
salário dos professores. Mas os profissionais da educação pública
precisam ter seus salários revistos.
Repito: sei das dificuldades de o Estado arcar com uma folha de
pagamento alta como das escolas particulares, mas nosso salário
está vergonhoso e não acredito que o governo do Estado mais
rico da federação não poderia oferecer um pouco mais.
Há também outros problemas que precisam ser enfrentados,
de fato. Acho no mínimo preocupante quando a senhora afirma,
em uma das reportagens (Folha de São Paulo, 25/02/2008),
quando questionada sobre as ´falhas dos governos tucanos´
(Covas, Alckmin), que prefere dizer que os problemas atuais
são estruturais. Não são falhas de um governo que
está aí há anos, não é questão de incompetência. São questões
estruturais. No entanto, quando dizemos que muitos dos problemas
da escola pública são estruturais (salários baixos, lotação, prédios horrorosos, lousas caindo aos pedaços, falta de laboratórios, violência, indisciplina, etc.) ouvimos que isto é reclamação sem fundamento;
que é só saber bem o conteúdo e boas técnicas didático-metodológicas
que tudo se resolveria (isto fica bem claro quando lemos o
´Caderno do Gestor´ que acompanha a nova ´Proposta Curricular´).
Mas quando questionada em uma das reportagens sobre as
condições das escolas, a senhora diz que o governo faz o que pode,
manda verbas, mas à noite a escola é invadida e roubam os fios.
Isto não é contraditório? O governo tem desculpas, não é sua culpa,
é da estrutura e dos vândalos que invadem a escola. Agora, quando
um professor tem que enfrentar uma classe lotada, sem a mínima
estrutura, ele tem que se virar. Não tem desculpas... Em outras
palavras: todas as falhas dos governos passados não são falhas ou
questão de incompetência, são problemas de estrutura. Mas quando
os professores dizem que a estrutura atual do sistema de ensino
contribui muito para o fracasso escolar, o governo diz que isto é
desculpa, que é ´baboseira ideológica´, e que basta ser competente
e saber o conteúdo que tudo se resolverá.
Voltando à tão citada Finlândia, fica claro que lá os professores são competentes, como se afirma, porque bem formados, valorizados e
com condições estruturais bem melhores que as que temos no
Estado de São Paulo. Portanto, falar em qualidade em salas lotadas,
sem condições estruturais satisfatórias e sem professores bem
formados (bem diferente do tão falado sistema finlandês), é falar
para ´inglês ouvir´.
Em suma, uma educação de qualidade reside no tripé salários
dignos, condições de trabalho e compromisso profissional. Só
quando o Estado pagar salários dignos e fornecer condições para
os professores e gestores desenvolverem seu trabalho, poderá
selecionar os melhores e
até mesmo criar formas de excluir aqueles que não tenham
compromisso.
Em tempo, senhora secretária: fiz mestrado e doutorado e não
ganho o salário que estão dizendo por aí que eu ganho. Muitos
de meus colegas me perguntam por que ainda estou na educação
pública ganhando um salário tão baixo que não condiz com a
minha formação. Respondo que escolhi isto por acreditar que
estou exercendo uma profissão chave para um país que deseja
um futuro mais digno; que ainda acredito na educação e que, sim,
tenho um compromisso ideológico com a escola pública. Mas a
seguir sua visão e a visão ´vejiana´ de educação, senhora secretária
, isto deve ser mais uma das minhas ´baboseiras ideológicas´.
Profª Drª Clarete Paranhos da Silva
Supervisora de Ensino – Campinas Oeste






